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A parte má da Coreia do Sul – Yoo Young Chul

Neste blog os temas que vos trazemos são leves e sobretudo culturais, dando-nos a conhecer o lado bom da Coreia do Sul. Mas nem tudo o que acontece no país são lançamentos de novos singles, dramas e bandas novas.

É “engraçado” que o que vos irei contar neste artigo teve início no mesmo ano de debut dos DBSK.

Yoo Young Chul é um nome que não significa nada para vocês, mas  para os familiares de 20 pessoas é o nome do diabo. Este é o nome do maior assassino em série coreano. Nascido a 18 de Abril de 1970, Yoo Young Chul foi uma criança não planeada que veio afectar a vida já precária dos pais, que iriam acabar por se separar.

Em criança mudou várias vezes de casa, indo morar primeiro com a avó, depois com o pai, com quem iria para a capital. Contudo, a pobreza era uma constante na família e a crueldade da sua madrasta levou a que fugisse para a casa da mãe, que também morava no mesmo bairro do pai, Mapo (uma zona pobre). Foi por esta altura que começou a revolta de YooYoung Chul.

Devido aos poucos recursos monetários dos pais, Yoo tornou-se a vítima preferida para os bullies da sua escola. Apesar das dificuldades que passava na escola e, mais tarde, a morte do pai o terem afectado bastante, continuava a ser um bom aluno na escola pois estudar foi a forma que encontrou para lidar com o sofrimento.

Era um aficionado pelas artes, mas como não conseguiu entrar numa escola de arte e teve de se contentar com uma escola técnica, a sua revolta cresceu. Foi assim que começaram os seus pequenos delitos, que o levaram à prisão durante alguns anos na sua adolescência (e na vida adulta) e o impediram de acabar o ensino secundário.

Estes crimes, pequenos roubos, não seriam nada comparados com os que viria a cometer no futuro.

No ano de 1991 conhece a sua mulher (Hwang) da qual tem um filho. O casamento sobreviveu aos seus delitos, em parte porque os seus roubos eram uma fonte de dinheiro. Destes roubos passou para a pornografia ilegal, escalando para a falsificação de documentos (durante este tempo foi alvo de tratamentos psicológicos num hospital de Gok Joong), mas o casamento resistiu.

Em Março de 2000 o padrão dele escala ainda mais e Yoo viola uma adolescente de 15 anos, indo parar novamente à prisão. Desta vez a mulher já não o perdoou e em 2002 já tinha saído o divórcio.

Durante o tempo que passou na prisão por este último crime, Young Chul interessa-se por um livro sobre Jeong Du Young, um assassino em série  que entre 1999 e 2000 assaltou várias casas de pessoas ricas e nas quais matava quem lá estivesse. É com a leitura deste livro que o criminoso fica com a crença de que tudo de mal que lhe aconteceu na vida é por culpa de todos os ricos na Coreia do Sul, e por isso essas pessoas tinham de morrer. Começou assim o seu plano de vingança contra os ricos.

O problema neste plano de vingança era muito simples, Yoo Young Chul nunca tinha matado ninguém, mas a prática faz a perfeição… Com um martelo caseiro (caseiro porque foi feito por ele), a sua arma de eleição, pegava em cães vadios e batia-lhes até estes morrerem.

Assim começam os assassinatos.

Na manhã do dia 24 de Setembro de 2003 (atacava de manhã porque era a altura em que as pessoas mais novas saíam para trabalhar) apanha o metro até Apgujeong (a parte rica de Seoul), lá procura uma igreja e perto da igreja procura uma casa que pertença a alguém rico. Quando encontra a casa que idealizou (daquelas que têm muros a tapar toda a propriedade), invade a casa e esfaqueia a sua primeira vítima, o Senhor Lee de 72 anos que se encontrava no quarto com a esposa. A esposa é morta com vários golpes de martelo na cabeça.

Depois de confirmar que a vítimas estão mortas, limpa o sangue das calças e vai embora do local do crime. No entanto, quando se apercebe que deixou a faca (usada na morte do senhor Lee) no local, volta para trás, arromba a porta recupera a faca e, ao ver que deixou a marca da bota na porta limpa-a, deixando apenas uma pegada parcial. Também espalhou alguns bens da vítimas para simular um assalto e confundir a polícia.

Esta foi a sua forma de actuação nos seus crimes contra os ricos. Procurar casas de idosos indefesos, invadir a casa, matar os idosos com o martelo, limpar os vestígios de sangue da roupa e abandonar o local do crime. Só numa casa (que, por acaso, ficava perto de uma esquadra de polícia) é que decidiu roubar o cofre da família, mas tendo sofrido um corte no processo de arrombamento do cofre, decidiu incendiar a casa de forma a apagar o seu ADN. Nesta casa, a imagem de Yoo ficou registada nas câmaras de segurança e ainda ficaram pegadas suas no chão, mas mesmo assim não foi identificado.

Obviamente que durante este periodo o senhor Yoo não tinha tempo para trabalhar, então para ganhar algum dinheiro subornava prostitutas e proxenetas usando documentos de identificação falsos de polícia. Com o dinheiro que conseguia extorquir alugou um apartamento, que viria a ser mais tarde o lugar de mais mortes.

Por esta altura começa a recorrer aos serviço de prostitutas. É assim que conhece Kim, uma prostituta pela qual se apaixona e acaba por pedir em casamento. Mas esta Kim não era burra nenhuma e depois de investigar o passado dele (mas sem saber dos assassinatos), recusa o pedido. Esta recusa originou um novo ódio em Yoo e outro desejo de vingança nasceu, desta vez contra prostitutas. Estas passaram a ser o seu novo alvo, mas só as que tinham uma aparência parecida com a de Kim tinham a “sorte” de ser escolhidas por ele.

Em Janeiro de 2004 surge uma nova oportunidade para a polícia identificar Yoo, depois deste ser preso por cometer um pequeno roubo numa sauna. Porém, os polícias não verificam o cadastro e Yoo é novamente posto em liberdade. Isto aumenta a confiança de Yoo e este volta à acção.

No mês seguinte encontra a jovem Jeon, de 25 anos, na rua e pensando tratar-se de uma prostituta tenta intimidá-la fazendo passar por polícia. A jovem não acredita em Yoo e tenta fugir mas infelizmente acabou por ser apanhada e, apesar de estar aos gritos no meio da rua e muito perto de um restaurante, é morta com 5 facadas no peito sem que ninguém repare.

Yoo começa assim a sua nova vingança.

Contrata prostitutas para irem a sua casa, local onde as mulheres são mortas com o martelo e esquartejadas em 18 partes, sendo que depois Yoo só tem de se livrar dos corpos. Perto da universidade de Seogang (que fica numa zona montanhosa), Yoo enterra as suas vítimas, tendo o cuidado de marcar os locais onde já enterrou as mulheres para não sobrecarregar os locais com corpos.

A única excepção neste padrão foi a morte do senhor Ahn que lhe vendeu Viagra falsificado. Ainda tentou convencer o senhor Ahn de que era polícia (de forma a conseguir levá-lo para um local mais recluso para o matar), mas o senhor Ahn não acreditou. Então foi forçado a entrar na sua carrinha, algemado e depois de Yoo ir a casa buscar as suas ferramentas de eleição, foi levado para o parque de estacionamento de um hospital e morto à martelada na mala do carro. Depois Yoo leva o cadáver do senhor Ahn para a ilha de Wolmi, corta as mãos de Ahn, atira-as de um paredão e incendeia a carrinha.

Os crimes de Yoo Young Chul estavam a passar despercebidos até que chamou a atenção do mundo cibernético. O falatório era tanto que as mulheres começaram a ser mais cuidadosas, mas ninguém sabia quem poderia ser o assassino.

Yoo esteve novamente perto de ser preso quando espancou uma prostituta e foi levado para uma esquadra de polícia, mas este fingiu ser manco e ter um ataque epiléptico e os polícias, tomados pela simpatia, retiraram-lhe as algemas. Yoo aproveitou e fugiu.

Podemos dizer que quem teve a esperteza suficiente para apanhar Young Chul foram os proxenetas. Ao constatarem que algo de errado se estava a passar, juntaram-se para investigar e descobriram um número de telemóvel comum a todos os desaparecimentos. Esta informação foi passada ao polícia Yong Pil Ju.

Quando Yoo voltou a contactar os serviços de prostitutas, já os proxenetas estavam preparados e enviaram uma prostituta que não preenchia os requisitos de Yoo, informando de seguida a polícia.

Yoo ligou a reclamar da prostituta enviada e os proxenetas enviaram outra como isco. Tanto os proxenetas como a prostituta foram até ao local de encontro ( apesar de Yoo parecer desconfiado e levar a prostituta a percorrer diversas ruas) e apanharam Yoo levando-o à polícia.

Já na esquadra, Yoo confessou  os crimes todos que tinha cometido e ainda deu pormenores macabros, como o facto de comer o fígado das suas vitimas.

Yoo Young Chul foi condenado à pena de morte e encontra-se no corredor da morte até aos dias de hoje.

Fontes:

http://www.trutv.com/library/crime/serial_killers/weird/yoo_young_cheol/

http://www.asesinos-en-serie.com/yoo-young-chul/

 

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2 thoughts on “A parte má da Coreia do Sul – Yoo Young Chul

  1. ah!!!que cena,nunca imaginei que isto se pudesse passar na Coreia,eu sei que em tudo o mundo existe pessoas más e boas,mas sempre pensei que a Coreia fosse,um lugar onde podíamos andar mais descansados que história medonha essa

  2. Wow! Super apoio ter esporadicamente posts mais “dramaticos” como esse, afinal, nem tudo são flores. Realmente a imagem que nós temos é que a Coréia é uma país super pacífico onde esse tipo de coisa nem em sonhos acontece.

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