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해녀 (Haenyo), as mulheres do mar

Image Credit Flickr User DMac 4D MkII

A ilha de Jeju, a aproximadamente 85 quilómetros a sul da Coreia continental, fica no cruzamento entre o mar amarelo e o mar este da China. É a casa das haenyo, que literalmente significa “mulher do mar”, também chamadas sereias devido aos cânticos que entoam enquanto mergulham. Este som é chamado de sombisori. As haenyo são mergulhadoras que pescam conchas, polvo, ouriço-do-mar e abalone e conseguem mergulhar até 20 metros de profundidade, em mergulho livre, conseguindo prender a respiração durante vários minutos.

O mergulho para pesca era algo que sempre tinha sido feito (por homens) mas como os impostos eram demasiado elevados pouca gente optava por este mister. Portanto, as mulheres começaram a fazer este tipo de trabalho (que era um pouco menosprezado até), pois não precisavam de pagar impostos. E assim as mulheres se tornaram no ganha-pão de muitas famílias, pois os bens provenientes do mar uma das maiores fontes de riqueza de uma ilha.

Esta evolução ia contra a cultura coreana do Confucionismo, na qual as mulheres eram tradicionalmente tratadas como inferiores. Trabalhando como um grupo, foram as primeiras mulheres a imigrar para a costa japonesa, chinesa e russa. O seu salário individual era mais elevado do que os homens que trabalhavam em fábricas. Era claro que eram importantes em termos económicos. No entanto, em termos sociais e políticos continuavam a ser regradas pelo Confucionismo. Apesar de ser a mulher a trazer o dinheiro para casa ainda era o homem quem decidia o que era feito com ele, as filhas tinham pouco acesso a educação e, mesmo não havendo discriminação, eram encaradas como parceiras inferiores.

Casa típica feita com pedra de lava típica de Jeju

Enquanto nos anos 50, os registos indicavam que existiam 30 000 haenyo, em 2003 este registo era de 5650, sendo que 85% destas eram mulheres tinham mais de 50 anos. Os dias de ouro dos anos 70 ficaram para trás, com as exportações para o Japão criando uma riqueza incomparável que lhes permitiu colocar as filhas nas escolas e construir povoados prósperos. As hanyeo estão a ficar velhas demais para continuar a mergulhar nas águas em busca de tesouros e as possíveis sucessoras preferem trabalhar no sector turístico que floresce na ilha ou mesmo ir para outro locais.

Representantes de uma tradição secular, que tornou a sua ilha num matriarcado funcional, as haenyo de hoje em dia estão prestes a desaparecer  por não haver regeneração.

Fontes:

Kuriositas
Nippaku
CNN Travel
Go World Travel

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