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원효 Wonhyo – o monge que bebeu de um crânio

O Budismo foi transmitido no reino Silla (57 A.C 935 D.C.) no início do século VI. Silla foi o último dos Três Antigos Reinos da Coreia ao qual foi apresentado o Budismo. Inicialmente, devido à complexidade das suas doutrinas e ao facto de não estarem familiarizados com os seus costumes, grande parte das pessoas encarou o Budismo com muita suspeita. No entanto, vários reis mostraram um interesse cada vez maior na prática e no estudo da nova religião e apoiaram a sua propagação como uma forma de unir o país. Como resultado, o Budismo foi ganhando lugar no coração das pessoas. Os pioneiros foram Ichadon, Ado, Wongwang e Chajang.

Wohnyo  (617-686 A.C.) é considerado o mais importante. A sua influência ultrapassou fronteiras e é muito estimado no sudeste asiático. Durante a sua vida analisou dez dos assuntos mais controversos dos sectos budistas da época e tornou os seus credos distintos no que se intitula  “Veículo único do Budismo”. Desde então, o Budismo coreano apresenta uma forma mais concordante do que fragmentada.

Wohnyo reuniu uma vasta quantidade de conhecimento durante a sua vida, escolhendo viver fora da autoridade e forma, uma vida de muae ou “não-impedimento”, frente a frente com a realidade. Tentou eliminar a distinção entre sagrado e secular e associava-se livremente com pessoas normais, participando mesmo em actividades musicais e de dança. Esta é uma das razões pela qual ele continua a exercer a sua influência.

A história que vos vou apresentar hoje faz parte da sua saga para estudar no estrangeiro, “Beber água de um crânio”. (Tradução do texto retirado daqui).

Wohnyo fez uma segunda tentativa para estudar no Tang no ano em que fez 44 anos (661 A.C.), novamente na companhia do mestre Uisang. Com o objectivo de atravessarem o mar para a China de Tang, viajaram para oeste. Quando chegaram ao porto do castelo Tanghang, já a noite tinha caído. Encontrando vento e chuva forte, foram obrigados a passar a noite num abrigo subterrâneo. Quando acordaram na manhã seguinte, perceberam que tinham passado a noite uma câmara funerária. A chuva continuou a cair com força, e viram-se obrigados a passar uma segunda noite no local. Durante a noite, Wonhyo não conseguia dormir e sons terríveis e visões de fantasmas mantiveram-no acordado. Esta situação serviu para o grande despertar do jovem mestre.

Na noite anterior, a sua mente estava descansada pois pensava estar a passar a noite num abrigo inofensivo. No entanto, na segunda noite, por saber que estava a dormir dentro de um local de morte e fúnebre, sentiu-se muito desconfortável. Nesta experiência percebeu “Quando surge um pensamento, todos os dharmas (fenómenos), surgem, quando um pensamento desaparece, o abrigo e a tumba são como um uno”.

Os Três Mundos são apenas a mente,

Todos os fenómenos mera percepção,

Não existindo Dharma fora da mente,

O que mais há para procurar?

Não irei para Tang.

Dizendo estas palavras, Wonhyo regressou a Silla. Tinha sido acordado pela grande Verdade, que o Dharma não existe fora da mente. A verdade não é algo que se possa procurar fora de nós mas uma percepção interna. Wonhyo entendeu a essência da mente que habita o interior de um ser humano. Esta descoberta de Wonhyo tornou-se famosa mais tarde e foi reconcebida nas versões mais famosas da história.

Segundo reza a história, Wohnyo sentiu muita sede durante a noite e começou a procurar por água na escuridão. Conseguiu discernir um objecto que parecia ser uma cabaça. Pegou nela e viu que continha água. Provou a água, era muito doce. Bebeu o seu conteúdo de uma só fez, e tendo satisfeito a sua sede, dormiu contentado até o nascer do sol. Quando acordou na manhã seguinte, lembrou-se do que aconteceu e procurou a cabaça. No entanto, a cabaça não estava em qualquer lugar, e viu apenas crânios humanos espalhados pelo chão. A cabaça tinha na verdade sido um destes crânios e a água doce água da chuva que tinha sido recolhida. Examinando o interior de um dos crânios, viu que a água estava repleta de larvas. A realização profunda que alcançou através desta experiência recordou-o de uma leitura Dharma que tinha lido no texto Despertar da fé.

Quando surge um pensamento,surgem todos os tipos de mentes distintas,

Quando um pensamento desaparece, todas estas mentes diversas surgem,

Como Tathagata disse, todos os Três Mundos são ilusão,

Tudo é mera criação da mente.

Wonhyo percebeu que todas as imagens e fenómenos resultam da descriminação na mente e nada mais. Dirigiu-se a Uisang e disse,

“Viste-me com sede na noite passada?”

“Vi-te em grande sofrimento, a beber água de uma taça.”

“Quando acordei esta manhã, vi que não era água pura que bebi mas água da chuva pútrida dentro de um crânio humano. Quando a bebi, foi verdadeiramente refrescante e dormi de seguida um sono satisfeito. Depois da minha descoberta hoje de manhã, vomitei e senti-me desconfortável.  A água desta manhã é igual à da noite passada. Quando não sabia o que era, achei-a refrescante, mas quando descobri, senti-me mal. A sujidade ou a pureza de um objecto não reside no próprio objecto mas depende do discernimento no interior das nossas mentes. Agora, portanto, percebo que tudo é criado pela mente. Por ter percebido esta Verdade, não consigo conter a minha alegria, nem o desejo de dançar e cantar.

Tendo compreendido o princípio de Apenas Mente através desta experiência, já não precisava de ir até à China em busca do Dharma. Tendo atingido a iluminação num só momento, exprimiu o seu estado de alma da seguinte forma:

Porque a mente surge, são criados muitos tipos de dharma.

Quando a mente apazigua, um santuário e um cemitério são um.

Os Três Mundos são simplesmente a mente,

E todos os fenómenos se baseiam na consciência.

Existindo apenas a mente, o que mais há para procurar!

Aqui “a mente” refere-se a um impedimento cármico ou a uma mente discriminatória. Por surgirem discriminações, o Dharma existe como método de erradicar tais discriminações. Portanto, quando todos os impedimentos cármicos ou discriminações da mente são purificados ou erradicados, nem existe distinção entre calma e raiva.

Uisang continuou a sua viagem até Tang atravessando o mar, como tinha pretendido. Estudou com o Mestre Dharma Zihyan  (602-668) durante dez anos no templo Zhixiangsi no Monte Zhongnan, regressando depois a Silla, onde em 676 A.C., construiu o templo de Pusoksa.

Wonhyo, ao regressar a Silla, ficou algum tempo no temple de  Punhwangsa e dedicou-se ao estudo e à prática. Utilizando as suas percepções como base para os seus escritos, Wonhyo comentou as escrituras budistas e as suas célebres obras como Kumgang Sammaegyong Non (Exposição do Sutra Vajrasamadhi) serviram mais tarde de guia para inúmeros estudiosos e praticantes no este asiático. Mais tarde, abandonou o templo para ir viver entre o povo. Deu-lhes grande esperança, por vezes com palavras, outras dançando e cantando. Os seus métodos de espalhar o Budismo eram muitas vezes pouco convencionais, o que era possível por ele não pertencer a uma escola ou secto específico. Wonhyo foi portanto um verdadeiro pioneiro do Budismo para as pessoas normais. Acreditava que o Budismo não deveria ser reservado para um grupo de intelectuais de elite ou usado como uma ferramenta para reforçar o poder tirando; tratava-se de uma religião com base na formalidade ou uma religião para a nobreza. Apesar de ser Budista, sentiu uma necessidade de ir além do Budismo. Por esta razão, muitos consideram Wonhyo como o mestre o muae (não impedimento), um homem que era verdeiramente livre em todos os sentidos.

Fontes:

Korean Hero

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