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Stay Cool! O que a Coreia do Norte está a fazer é bluff!

Ultimamente nas notícias, quer aqui em Portugal, quer no estrangeiro anda tudo alarmado com a possibilidade do recomeçar da guerra entre as Coreias, tudo menos os cidadãos da Coreia do Sul, que já estão habituados a estas acções do Norte. As pessoas do Sul pouca ou nenhuma importância dão às ameaças do país do “Grande” líder Kim Jong Un. Como tenho visto constantemente pessoas alarmadas com o que se passa na Península Coreana, e depois de tentar explicar, vezes sem conta, o que realmente se está a passar na terra do kimchi, decidi traduzir um artigo, que a meu ver explica bem o que a Coreia do Norte está a fazer.

Artigo retirado da edição online do The New York Times e escrito por um especialistas em assuntos da Península Coreana.

“A Coreia do Norte é uma pequena ditadura com uma economia falida, mas os seus líderes têm uma capacidade notável de manipular a opinião pública mundial. Nas últimas semanas, temos sido expostos a um brilhante exemplo dessa capacidade. 

Dezenas de jornalistas estrangeiros foram enviados para Seul para dar conta da crescente tensão entre as duas Coreias e a possibilidade da guerra. Depois da chegada, contudo, foi difícil para eles encontrar algum sul-coreano com medo das ameaças norte-coreanas.  De facto, a maioria das pessoas em Seul não dá importância às ameaças do Norte: sendo  o último também da Península Coreana, mais as pessoas acharão que os coreanos estão preocupadas com os últimos acontecimentos.

A indiferença e calma dos sul-coreanos é compreensível: eles já passaram por muitas “crises” similares. Agora os sul-coreanos compreendem a lógica de Pyongyang e sabem que é altamente improvável que a Coreia do Norte concretize as suas ameaças.

As pessoas que falam da iminente possibilidade da guerra raramente fazem esta questão: O que ganharia a liderança da Coreia do Norte se desencadeasse uma guerra que muito provavelmente perderiam em semanas ou mesmo dias? Mesmo se conseguissem atacar o Japão, os Estados Unidos ou a Coreia do Sul com armas nucleares – um grande se, dado que eles não têm um sistema de execução fiável – eles não se conseguiriam salvar de uma grande derrota. Pelo contrário, o uso de armas nucleares ou outras armas de terror levaria certamente a uma forte retaliação, levando os líderes norte-coreanos ao esquecimento.

As ideias e sugestões que esses líderes são irracionais e que as suas decisões são incompreensíveis são notavelmente superficiais. A Coreia do Norte não é uma teocracia liderada por fanáticos que pregam as recompensas da vida depois da morte. 

De facto, não há boas razões para pensar que Kim Jong Un, o jovem ditador da Coreia do Norte, queira cometer suicídio,  ele é conhecido pelo seu amor pelo basquetebol, piza e outros prazeres da vida. A mesma lógica se aplica aos seus conselheiros, velhos sobreviventes do mundo bizantino da política norte-coreana que adoram caros de luxo e bom Brandy. 

Além do mais, não há nada particularmente anormal nos acontecimentos recentes. Nas duas últimas décadas, a Coreia do Norte tem em várias ocasiões conduzido testes nucleares ou testes de mísseis como actos de provocação e prometido transformar Seul num mar de fogo. Agora declarou a suspensão do acordo de armistício que terminou com as lutas na Guerra das Coreias, mas não com a guerra. Denunciou os exercícios militares americanos e sul-coreanos como actos de guerra. E na última terça-feira, a Coreia do Norte avisou os estrangeiros a viver no Sul, para procurarem um abrigo ou saírem da Coreia, porque uma guerra nuclear pode começar a qualquer momento na Península Coreana. Desta vez, as ameaças são feitas mais abertamente, e essa é a única mudança. 

Um olhar mais atento sobre a história da Coreia do Norte, revela que os líderes de Pyongyang querem mesmo que a sua beligerância quase ridícula seja alcançada – para lembrar ao mundo que a Coreia do Norte existe, e deixar uma impressão no estrangeiro que os seus líderes são irracionais e imprevisíveis. Deixar uma impressão assustadora é importante para a Coreia do Norte porque nas duas últimas décadas a sua política tem sido, acima de tudo, um brilhante exercício de chantagem diplomática. E a chantagem normalmente resulta melhor quando os seus praticantes são vistos como irracionais e imprevisíveis. 

Sejamos francos, o governo da Coreia do Norte espera mais ajuda do mundo. Ultimamente, tem-se tornado muito dependente da ajuda chinesa, e por isso quer outros “patrocinadores”. 

Os líderes em Pyongyang leram os seus livros de história. Em 1994, depois de um ano de tensão por causa dos esforços da Coreia do Norte para adquirir armas nucleares, os Estados Unidos concordaram fornecer à Coreia do Norte, petróleo e reactores de água natural em troca da promessa do Norte de parar o seu programa de armas nucleares. Depois, em 2002, um programa norte-coreano clandestino de enriquecimento de urânio foi descoberto, e nos quatro anos seguintes a Coreia do Norte não conseguiu a ajuda americana. Mas depois de ter conduzido um teste nuclear em Outubro de 2006, os Estados Unidos prometeram fazer concessões significantes, esperando que as negociações pudessem parar o programa nuclear do Norte. Eles não pararam.

 Se a história poder servir como guia, em algumas semanas as coisas irão acalmar. Os media norte-coreanos dirão ao seu povo que o Exército Popular e as estratégias geniais do seu novo jovem líder aterrorizaram os americanos imperialistas, e que estes cancelaram os seus planos de invadir o Norte. Entretanto, os diplomatas norte coreanos irão abordar os seus colegas estrangeiros e começar a apalpar terreno para fazer concessões políticas e para conseguir ajudas para o Norte .

Em outras palavras, são os jogos do costume na Península Coreana. Talvez, quando o clima acalmar, pode começar uma discussão, por dar aos líderes norte-coreanos alguma da ajuda que eles querem, se eles também estiverem dispostos a fazer concessões.  

Mas não faz sentido acreditar nas falsas ameaças bélicas do Norte e dar-lhes a atenção que eles querem agora. Seria melhor que as pessoas em Washington e Nova Iorque aprendessem a lição e reagissem como as pessoas em Seul.”

De: Andrei Lankov, professor de história na Universidade Kookmin, é o autor de “The Real North Korea: Life and Politics in the Failed Stalinist Utopia.”

E agora a minha opinião!

Acho que depois de ler este artigo esclarecedor e se falarem com coreanos, ou com estrangeiros que vivem em Seul, perceberão que todo o alarmismo criado à volta do que se está a passar nas Coreia, não passa do alarmismo criado por gente ignorante que não percebe nada de história das Coreias. É estupidez e o sensacionalismo de canais de televisão, como a CNN, que exageram tudo para terem sobre o que falar!

Não acreditem nas notícias, não entrem em pânico, leiam coisas sobre a história das Coreias depois da divisão da península! Os norte-coreanos já mataram uma primeira-dama, já afundaram um navio, já atacaram um avião sul-coreano, há dois anos bombardearam a ilha sul-coreana mais próxima do norte, é uma lista muito grande de incidentes. Nem depois de todos estes graves incidentes o conflito armado recomeçou, a Coreia do Norte sabe muito bem que tem muito (ou tudo) a perder  se a guerra recomeçar.

Desta vez nem a China, o único aliado do Norte, apoia o que eles estão a fazer. Naquela região ninguém está interessado na guerra… Não confiem nas notícias, pelo amor do Senhor, os jornalistas portugueses chamam Kim Yong Un ao Kim Jong Un… acham que se eles nem sabem dizer o nome dele, sabem ou percebem alguma coisa de história da Coreia??

Descansem, os vossos oppas, nunas, unnies e dongsengs não terão de ir para a guerra e se forem, certamente que acabará muito rápido! Por favor deixem de ficar em pânico, expliquem às pessoas o que se passa e sobretudo não chateiam as pessoas que moram na Coreia com coisas sobre a possível guerra… fala-se mais disso no estrangeiro que na Coreia do Sul!

Espero que tenha sido um artigo esclarecedor e que percebam mais um pouco do que aquela gente no Norte da Coreia está a tentar fazer.

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2 thoughts on “Stay Cool! O que a Coreia do Norte está a fazer é bluff!

  1. Obrigado pelo Post. Foi muito esclarecedor e na verdade eu ja tinha alguma ideia que isto todo era para chamar a atenção.
    Ao usarem armas nucleares vao-se prejudicar a eles próprios por isso acho que nao seriam suficientemente parvos para as usar.
    Para além disso, eu na minha opinião acho que o lider está a ser influenciado pelos “cabecilhas” do seu pai, Acho que para ele havia paz e uniao entre os diferentes paises.
    Sao contra os EUA, Coreia do sul entre outros mas tem ‘objectos’, por exemplo americanos… Fazem concertos com os bonecos da Disney (lol)… Convida (?) um jogador de basquetebol para terem uma conversa.. ve-se logo que e mentira isto todo… Hoje li nas noticias que estao a culpar a presidente sul coreana….
    Nao tem mais nada para fazer na vida? Em vez de andarem a fazer coisas como estas deviam-se preocupar com a sua população que esta a morrer a fome,
    Mas pronto nao se pode fazer nada, eu só quero e paz e que ambas consigam negociar de maneira com que nao haja acontecimentos como estes. Se o caso do Jong Un é mesmo de ser influenciado espero que ele consiga dizer por fim ‘nao!’.

    1. Eu acho que ele não tem poder nenhum, até se fala que em novembro passado houve um golpe de estado na Coreia do Norte e que ele é um mero fantoche, usado pelos generais do estado. Não acredito que ele queira paz e amor, mas acho que ele ama a cultura ocidental. Estão a ser attention whores e os burros dos americanos a exagerarem tudo.

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