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A divisão da Península Coreana

Com o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos da América (EUA) e a  União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) tornaram-se os dois super poderes mundiais. Com o estabelecimento destas duas potências, o mundo foi dividido entre o mundo comunista, com a URSS como seu centro, e o mundo capitalista com os EUA como seu centro de poder. A subsequente Guerra Fria “cortou” o mundo em dois e dividiu a Europa, entre a Europa de Ocidental e a Europa de Oriental. O Vietname foi dividido no paralelo 17, enquanto a Coreia foi dividida no paralelo 38. A Guerra Fria afectou em muito a vida e o destino do povo coreano, e desempenhou o papel principal na criação de “duas Coreias”. A península coreana tornou-se a linha da frente de conflitos entre comunistas e capitalistas e uma das áreas mais “sensíveis” do planeta.

Preparações para a fundação de uma nação

A 15 de Agosto de 1945 o Japão rendeu-se incondicionalmente aos Aliados, e consequentemente levou ao fim da guerra. A derrota do Japão significou a Independência da Coreia, que tinha sido ocupada pelo Japão em 1910. Depois da sua libertação os coreanos começaram a prepara apaixonadamente a reconstituição do seu governo. Um dos primeiros lideres que pediu a criação de uma nova nação foi Yeo Un Hyeong. Ele tinha vindo a preparar-se para estabelecer um novo país organizando a Aliança da Nova Fundação, e imediatamente lançou o Comité de Preparação para a Fundação Nacional. Este Comité tinha como objectivo um país independente e um governo democrático, declararam mesmo a fundação da República Popular de Joseon a 6 de Setembro de 1945. Isto aconteceu dois dias antes do exército dos EUA estabelecer a sua presença na Coreia.

As forças dos EUA e da URSS ocuparam a Coreia e dividiram-na em duas

Foram os movimentos Nacionalistas Coreanos e Chineses que, maioritariamente, combateram os japoneses até 1941. Nesse ano os EUA tornaram-se na força líder das Forças Aliadas, em 1945 a URSS juntou-se aos Aliados. Depois do final da guerra a China, Rússia e EUA criaram uma nova ordem mundial. Os EUA eram os mais influentes e tentaram colocar a Coreia sob sua tutela durante um certo período de tempo, porque precisavam de um governo pró- EUA na Coreia. A URSS também se estabeleceu na Coreia para criar um governo pró-Rússia  e estava disposta a aceitar a tutela como alternativa. Ao mesmo tempo que isto acontecia, a vontade do povo coreano de estabelecer o seu próprio governo foi maioritariamente ignorada.

Os EUA e a URSS ocuparam, respectivamente, as áreas a sul e a norte da Pararelo 38, justificando esta ocupação com o objectivo de desarmar o exército japonês. Quando governos militares foram estabelecidos nas duas regiões, não apenas a República Popular como também o Governo Provisório da República da Coreia, que lutaram contra os japoneses durante várias décadas, se revelaram organizações sem poder, desautorizadas pelos EUA e pela URSS. Os governos militares dos EUA e da URSS precisavam do apoio coreano. Reconhecendo a situação doméstica dos assuntos políticos favorável aos seus interesses, a URSS decidiu apoiar os Comités do Povo que vinham sendo organizados. Pelo contrário os EUA decidiu empregar muitos polícias e oficiais que tinham trabalhado para os japoneses.

Os confrontos entre a Esquerda e Direita: um obstáculo para a fundação de um governo único

Lee Seung Man ( Syngman Rhee/ 이승만)

Depois da libertação da Coreia, muitos patriotas voltaram a casa. Lee Seung Man e Kim Gu que lideraram os movimentos de independência na América e China respectivamente, voltaram para Seul. Entretanto Kim Il Sung e Kim Du Bong, que trabalharam para a independência na URSS e na China, fizeram de Pyeongyang o seu solo político. Quer no sul, quer no norte da península coreana, muitos partidos políticos e associações foram organizados. Contudo, os líderes estavam divididos, entre os que queriam um governo democrático e os que queriam um estado socialista.

Em Dezembro de 1945, na Conferência dos Ministros dos Negócios Estrangeiros em Moscovo, os ministros dos EUA, Reino Unido e URSS foram a Moscovo, tendo sido chamados a discutir o procedimento para a independência da Coreia. Ficou decidido que os EUA e a URSS formariam um comité conjunto e criariam um governo coreano provisório, e que os três participantes na conferência, a China e o governo provisório coreano discutiriam a Tutela da Coreia.

Kim Il Sung (김일성)

Os coreanos estavam divididos quanto à decisão da Conferência de Moscovo. As pessoas da Direita auto intitulavam-se Nacionalistas opunham-se à tutela, enquanto as pessoas da Esquerda que eram maioritariamente Socialistas acreditavam que aceitar a decisão da Conferência, iria ajudar a alcançar a independência mais cedo. A Direita criticava a Esquerda por vender o país para a Rússia, enquanto a Esquerda defendia que desmantelar a paralelo 38 e estabelecer a união política e económica entre o Norte e o Sul era mais urgente. Com todos estes conflitos o estabelecimento de uma República unida na Península Coreana tornava-se cada vez mais difícil.

O início da divisão:

Quando a guerra terminou, todas as tropas japonesas saíram da Coreia. Contudo, a economia coreana ainda tinha muitos problemas. Quase metade das indústrias construídas pelos japoneses e pela sua tecnologia foram fechadas, quer devido à falta de engenheiros, quer devido à falta de matéria-prima, mas também devido à desconexão dos mercados. Outra situação que causou grandes problemas à península coreana foi a localização das indústrias: 79% da indústria pesada localizava-se no Norte, enquanto 70% da indústria leve se localizava no sul.

A estabilidade social só podia ser alcançada com a rápida fundação de um governo, com reformas conclusivas e extensas. Mas, quer os EUA, quer a URSS, queriam apenas um governo que ajudasse os seus próprios planos, eram muito passivos na ajuda às reformas coreanas e a sua presença em solo coreano afastou ainda mais o povo coreano.

O governo provisório do Norte, sob a liderança do Comité Popular, levou a cabo reformas agrárias, liquidando as propriedades pró-Japão e nacionalizando toda a indústria. Também criaram leis que reforçavam os direitos dos trabalhadores e a igualdade entre homens e mulheres. Enquanto o governo do Norte se estabilizava, muitos “direitistas” no Norte, que discordavam com todas estas políticas mudaram-se para o sul do paralelo 38.

As mudanças a Norte colocaram muita pressão sobre o Sul. Os “direitistas” no Sul, que eram generosos em relação às figuras pró-Japão e eram passivos quanto à punição auto intitulavam-se de “anti-comunistas”. Assim, exigiram que um governo só para o Sul fosse fundado para liderar a luta contra os comunistas no Norte.

No outono de 1946, as lutas dos agricultores e trabalhadores empobrecidos do Sul intensificaram-se. Eventualmente, as suas lutas tornaram-se uma resistência contra o governo militar dos EUA, que por sua vez suprimiu os protestos e decidiu oprimir as actividades dos protestantes.

Na caótica situação de confronto entre o Norte e o Sul, os “esquerdistas” (socialistas/Norte) e os “direitistas” (capitalistas/Sul) que estavam preocupados com a perspectiva de uma nação permanentemente dividida, tentaram estabelecer um governo unido na Coreia. Contudo, os esforços de cooperação entre os da Direita e da Esquerda e as negociações entre os EUA e a URSS falharam o objectivo de unir o Norte e o Sul.

O estabelecimento do Governo da República da Coreia

Em 1947 com o intensificar da Guerra Fria, os EUA e a URSS confrontavam-se em vários lugares do mundo. E os seus conflitos afectaram grandemente o destino da Coreia.

No final de 1947, os EUA levaram o problema da Coreia à Organização das Nações Unidas (ONU). A Assembleia Geral das Nações Unidas foi a votos e decidiu que eleições nacionais supervisionadas pela ONU, seriam levadas a cabo em toda a península da Coreia. A URSS recusou apoiar as eleições, argumentando que estas deveriam ter lugar depois da retirada das tropas estrangeiras da península coreana. Devido a este boicote da URSS, a ONU decidiu que as eleições deveriam ser feitas apenas no Sul da Península Coreana. Com esta decisão, a divisão do país tornou-se uma realidade. Kim Gu e Kim Gyu Shik visitaram PyeongYang e tiveram uma reunião com os líderes norte coreanos.

Mesmo assim uma eleição geral foi feita na Coreia do Sul, como planeado, a 10 de Maio de 1948 e 198 membros foram eleitos para a Assembleia Nacional. Os ramos legislativo e judicial do governo foram formados e uma Constituição foi promulgada. Finalmente, no dia 15 de Agosto, o estabelecimento da República da Coreia foi proclamado.

Lee Seung Man foi eleito Presidente da República da Coreia, para liderar o sul da península com base no sistema capitalista, enquanto a Coreia do Norte formou a República Popular da Coreia com base no sistema socialista, sob a liderança de Kim Il Sung.

A divisão depois de 1300 anos de União

A República da Coreia “é o fruto dos nossos esforços para construir uma nação independente, sucedendo ao grande espírito da independência do Movimento de 1 de Março…, irá assegurar oportunidades iguais para todos em todas as áreas incluindo na política, economia, sociedade e cultura, estabelecendo um sistema democrático…, irá promover a igual melhoria das condições de vida do nosso povo internamente e externamente… irá assegurar a segurança, liberdade e felicidade dos nossos e dos nossos descendentes… (excertos da Primeira Constituição). Neste respeito a República da Coreia era o sucessor do Governo Provisório da República da Coreia, e foi o maior feito dos movimentos que lutaram pela fundação de uma nação independente.

Contudo, a fundação da República da Coreia custou a união da península. A Península Coreana foi finalmente dividida, depois de ter estado unida durante 1300 anos. O paralelo 38 foi uma linha provisória criada entre o Norte e o Sul para desarmar as tropas japonesas, mas que eventualmente se tornou a linha que separa o Sul e o Norte da Coreia.

Fonte:  A Korean History for Internacional Readers

(to be continued)

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