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Park Geun Hye – a primeira mulher Presidente da Coreia do Sul

Park Geun Hye tornou-se a 19 de dezembro deste ano a primeira mulher a vencer as eleições presidenciais na Coreia do Sul. Um grande feito para um país conservador e ainda muito machista.

Para melhor dar a conhecer a nova Presidente da Coreia do Sul, que irá governar o país nos próximos 5 anos, traduzi um artigo do jornal “The New York Times” que nos apresenta o percurso de vida desta mulher, bem como o peso que o seu passado representa na sua vida política. (O artigo foi escrito antes da sua vitória na eleições).

“Quando Park Geun Hye, uma pequena mulher de porte fino, desceu do palco para cumprimentar os eleitores depois de um discurso num mercado ao ar livre, algumas pessoas, maioritariamente pessoas idosas, direccionaram-se para o meio da multidão. Para eles, parecia que, a senhora Park, não era tanto a líder de um partido político conservador, afectado por muitos escândalos e que estava a ficar para trás nas projecções, mas sim uma celebridade ou mesmo uma figura religiosa.

“Eu toquei na mão dela, eu toquei na mão dela!” gritou Lee Kyung Su, 72 anos, engenheiro reformado. Mais tarde, já num momento mais calmo, ele tentou explicar por que ela lhe provocara tamanha emoção. “Ela vive sozinha, não tem desejos egoístas e não tem família para a corromper” disse ele, “ Ela entregou-se ao país (à Coreia do Sul).

Mesmo na democracia sul coreana, competitiva e aguerrida, que produziu vários líderes carismáticos e personalidades marcantes, a senhora Park tem um estatuto especial. A empenhada filha de um falecido ditador, mulher solteira à procura do poder numa sociedade firmemente patriarcal, crítica das desigualdades sociais num partido intrinsecamente ligado a grandes empresas, Park Geun Hye, 60 anos, parece muitas vezes maior que a vida apesar da sua pequena estatura e comportamento calmo.

Agora, depois de ter liderado com sucesso o renovado Partido Saenuri, ou Nova Fronteira, o partido no poder, antigamente conhecido como Grande Partido Nacional, a resultados muito positivos nas eleições parlamentares (11 abril 2012), ela tem também grandes hipóteses de se tornar a próxima presidente do país. Seria assim a primeira mulher a ser democraticamente eleita líder de uma nação, na economicamente vibrante Ásia, mas maioritariamente dominada por homens.

“Ela é parte Bismarck e parte Evita”, disse Ahn Byong Jin, autor de “The Park Geun Hye Phenomenon”. “Ela quer ser como o seu pai, ser uma forte líder que tem em atenção o seu povo, mas também tenta ser uma mulher solidária com os problemas do povo.”

É uma ascensão extraordinária, mesmo que tenha tido a vantagem de ter sido desde muito jovem educada na política, por um dos líderes mais bem-sucedidos da Coreia do Sul: o seu pai, Park Chung Hee, um general que governou o país com pulso de ferro durante 18 anos, e que estabeleceu os princípios para a fundação de uma das maiores histórias de sucesso económico da Ásia. Depois da mãe da Sra. Park, Yuk Young-soo, ter sido assassinada em 1974 numa tentativa falhada de assassinar, o seu pai Park Chung Hee, ele chamou a sua filha (Park Geun Hye) então com 22 anos, que na altura frequentava a universidade na França.

Park Chung Hee

Nos 5 anos seguintes ela permaneceu ao lado do pai, recebendo líderes mundiais, cumprindo os deveres públicos de uma Primeira-dama, até o ser pai ser assassinado pelo seu chefe espião em 1979. Durantes esses anos, ela disse ter tido as suas primeiras lições sobre política, dadas pelo seu pai no banco de trás da sua limusine.

“O maior feito do meu pai foi motivar o povo da Coreia do Sul, mostrar-lhes que poderíamos tornar-nos um país próspero se trabalhássemos arduamente” disse ela durante uma entrevista do ano passado. “Ele ensinou-me a amar o meu país e a servir o meu país”.

Para Park Geun Hye o legado do seu pai é ao mesmo tempo uma fonte de popularidade, mas também um factor limitativo, que a liga a antigas formar de pensamento, que ela está a tentar deixar para trás. Os conservadores vêm nela a sua esperança nostálgica de recuperar o sentimento de “objectivo nacional partilhado” que floresceu quando o seu pai estava no governo, e para voltarem a um tempo mais inocente, antes de o dinheiro começar a corromper o sistema político.

À esquerda ela é descriminada pelas suas conexões a um dos sistemas militares autocráticos que prendeu e matou opositores políticos antes da Coreia do Sul se tornar uma democracia no final dos anos 80. Park Geun Hye criticou os abusos dos direitos humanos durante o regime do seu pai, enquanto enfatizou os feitos do seu pai, como um homem patriótico que retirou a sua nação da pobreza que seguiu à Guerra das Coreias.

Park tem procurado apresentar uma imagem limpa distanciando-se do actual Presidente Lee Myung Bak, o antigo líder de uma grande companhia de construção, que foi atingido por vários escândalos financeiros. No início deste ano, ela liderou um comité de urgência para reavivar o Grande Partido Nacional, renomeando-o Saenuri. Ela também o aproximou mais da esquerda com uma nova plataforma com programas de serviços sociais mais sólidos para apelar aos eleitores fartos da recuperação económica lenta depois da crise financeira mundial.

Contudo, o seu maior atractivo não são as suas políticas, mas a sua personalidade. Antes das eleições parlamentares a semana passada, ela impressionou os eleitores com a sua campanha incansável, dando apertos de mão até ter que colocar um pequeno penso num dos seus pulsos.

“Eu penso que as pessoas acreditam que cumpriremos as nossas promessas, aconteça o que acontecer nestas eleições”, disse ela num e-mail do sábado passado.

Desde que se tornou legisladora há mais de uma década, ela evitou sempre ser “suja” pela política, incluindo nas lutas ocasionais no Parlamento. Mas por isso, ela é vista muitas vezes como aristocrata e indiferente, imagem que foi reforçada quando uma das suas antigas empregadas se queixou publicamente de ser forçada a segurar o capuz do casaco da Sra. Park sobre a sua cabeça (para não tocar no cabelo da Sra Park).

Park Geun Hye também fala pouco publicamente sobre um dos aspectos mais importantes da sua carreira politica, o seu género. Analistas dizem que os laços do seu pai ajudaram-na a ultrapassar as barreiras nesta sociedade fortemente Confucionista. De facto, ela goza de uma aura quase de santa entre alguns dos seus seguidores, como uma mulher que deu tudo ao seu país, tendo perdido o seu pai e a sua mãe, e depois renunciando ao casamento e filhos.

Quando ela falava em Gonju, as mulheres que a ouviam diziam que o seu género é um dos seus maiores atractivos. “Eu gostava de ver como uma mulher se sairia como Presidente” disse Lee Myung Shil, 37 anos, construtora civil.

Nas ruas, os apoiantes da Sra. Park pareciam estar igualmente divididos entre mulheres e homens idosos. No último caso, eles disseram não se importar ver uma mulher como presidente, mas acrescentaram francamente que a apoiavam por causa do pai dela.

“Ele salvou-nos da fome e colocou roupas nas nossas costas” disse Im Hong Su, 74 anos, reformado.

O legado do pai de Park Geun Hye, ensombrou os esforços dela para chegar outros eleitores para além dos do seu partido, particularmente os mais jovens, que podem ser os elementos chave da próxima votação em dezembro. Os eleitores mais novos têm pouco interesse ou conhecimento do seu pai, ao invés perguntam-se o que ela irá fazer por eles, dizem os analistas.

“Os eleitores mais jovens perguntam-se porque deverão votar pela filha de um ditador” disse Park Tae Gyun, professor de Estudos Coreanos na Universidade Nacional de Seul.

“Ela tem até às eleições para mostrar aos eleitores mais novos que ela realmente quer ajudar-nos” disse Ko Min Hwan, 32 anos, dono de uma loja de soalhos em Gonju.”

Artigo Original: The New York Times

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