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K-pop no País do Sol Nascente

Para muitos de nós, uma banda de kpop ir ao Japão é algo banal como é lançar um cd ou ir gravar um videoclip a um país estrangeiro. No entanto isso não é bem assim – tentarei resumir tudo brevemente, sem vos maçar muito com pormenores como recordes, álbuns, etc (apenas o essencial).

Como muitos de vocês sabem o mercado japonês é enorme (é precisamente o segundo maior mercado de entretenimento a nível mundial), e muitas bandas tentam hoje em dia ter lá sucesso, não se limitando a lançar cds ou a fazer entrevistas (como nos restantes países asiáticos). O próprio Japão está muito mais receptivo a elas, contrariamente ao que acontecia no passado.

Vamos estudar um pouco de história por agora? Não, não se preocupem. Não necessitam de tirar quaisquer apontamentos ou de ir buscar um café para não adormecerem… será breve.

Desde a Segunda Guerra Mundial, após ter sofrido muitas perdas e ter sido obrigado a se render após o ataque a Hiroshima e Nagasaki, o Japão tornou-se num país fechado ao mundo. Mesmo depois de se recuperarem, o Japão continuou a ser um país muito nacionalista e a preferir as coisas nacionais às estrangeiras.

No Japão, a influência coreana começou quando o drama coreano “Winter Sonata” passou nas televisões japonesas no ano de 2002. O drama teve tanto sucesso que popularizou de imediato o actor protagonista, Bae Yong-joon, hoje em dia um dos grandes marcos da Onda Hallyu no Japão.

A partir daí o mundo do entretenimento coreano percebeu que, se as coisas fossem bem-feitas, poderiam expandir a sua cultura para o país vizinho. Não foi difícil perceber que se queriam que artistas coreanos tivessem lá sucesso então estes teriam de viver no mesmo ambiente que os artistas japoneses e trilhar o seu próprio caminho.

Assim, em 2002, alguém se tornou na primeira cantora coreana a lançar-se no Japão e a romper as barreiras que o Japão tinha lançado sobre si no fim da Segunda Guerra Mundial. Esse “alguém” era BoA que, na tenra idade de dezasseis anos, lançou o seu álbum japonês de estreia “Listen to my Heart”. Esse foi o primeiro álbum coreano a estrear-se na tabela Oricon, e com um grande número de vendas.

Convém porém acrescentar que ela não foi para o Japão de forma precipitada. Ainda antes de estrear-se na Coreia do Sul (em 2000) ela já tinha tido aulas de japonês (entre muitas outras).

Desde a sua estreia que BoA tem estado regularmente no Japão. Só entre 2002 e 2005 BoA lançou seis álbuns originais e uma compilação com os seus maiores singles, tendo todos eles ficado no primeiro lugar da tabela de vendas Oricon.

Isso leva a que esteja em terceiro lugar no ranking das cantoras que conseguiram tal feito, nomeadamente Ayumi Hamasaki e Koda Kumi, e que seja considerada a cantora estrangeira mais famosa do Japão.

Em 2005, após terem vivido lá por quase um ano para aprenderem a língua e os costumes japoneses, estreou uma nova banda sul-coreana, ainda hoje com bastante sucesso. Essa banda era, sem mais nem menos, os DBSK (no Japão chamados “Tohoshinki” ou “THSK”), e o single com que estrearam chamou-se “Stay with me tonight”.

Engane-se quem pensar que eles chegaram lá e ficaram famosos de um dia para o outro, porque não foi assim. O Japão de antes era muito diferente do de hoje, e tudo o que eles alcançaram foi por trabalharem com afinco. Se hoje eles são o grupo com mais fãs também foram o grupo que passou por mais dificuldades para ter sucesso.

Tendo um sucesso já considerável no seu país natal, chegar a um país vizinho que nunca tinham conhecido (e que também não os conhecia a eles) foi um golpe forte. Com as suas fãs do outro lado do oceano, eles sentiam-se sozinhos e desencorajados, mas mesmo assim não desistiram.

Quando finalmente estrearam nada foi o que esperavam. Vendiam cds, mas tinham concertos em que só apareciam umas cinquenta a cem pessoas. Apesar de se sentirem desmotivados eles não desistiram: lutaram e lutaram até atingirem os seus objectivos.

Actualmente todos recordam esse momento das suas vidas como o momento em que tiveram certeza do rumo que queriam seguir, um rumo que os ajudou a darem sempre o melhor de si mesmos com humildade e não arrogância.

Tal como o Changmin disse, no seu mais recente programa de televisão: “Eu fui praticamente recrutado à força para este mundo da fama. Mesmo depois de fazer a minha estreia, às vezes questionava-me so que estava a fazer em cima do palco quando esse não era o meu sonho… até que fui ao Japão e vi aquele pequeno número pessoas a ouvirem as nossas músicas… dava para ver o quão felizes elas teriam ido para casa depois do nosso concerto. A partir daí percebi o motivo de estar aqui, e agora adoro o meu trabalho”.

Se a BoA já tinha ajudado um pouco a modificar a mentalidade japonesa então a chegada dos DBSK fê-lo por completo. A música coreana, que ainda era desconhecida pela maior parte da população, foi sendo cada vez mais reconhecida a nível nacional.

Para quem não acredita, a importância dos DBSK no Japão é tão grande que estes chegam a ser tratados como artistas nacionais e não estrangeiros, e são conhecidos por cidadãos de qualquer faixa etária.

Desde a data da sua estreia que os DBSK têm constantemente estado no Japão, quer para lançarem mais cds como para fazerem fanmeetings ou participarem em programas de TV.

A sua fama tem vindo a crescer cada vez mais. Nos dois anos seguintes os seus singles/álbuns japoneses estavam já no topo de vendas e as fãs exigiam cada vez mais a sua presença constante no país.

Em 2008 foram o primeiro grupo coreano a ser convidado a participar no Festival de Música “Kōhaku Uta Gassen”, um festival onde só os artistas japoneses mais famosos podiam actuar e cujos convites eram muito restritos. Ainda hoje, participar nesse festival representa uma honra e, pra muitos, o topo da carreira como artistas.

Em 2009 foram o primeiro grupo coreano a ter um concerto do Tokyo Dome, e o DVD de toda a Tour que lançaram mais tarde não só tornou-se no primeiro lugar na categoria de DVDs como bateu o recorde do grupo estrangeiro com mais vendas, ultrapassando assim grupos como os The Beatles e os Zed Zeppelin.

Em 2011 os DBSK tornaram-se no primeiro grupo estrangeiro a ser convidado para ser o último grupo a actuar no concerto “A-Nation”, ou seja, aquele que fechava o concerto. Essa honra pertencera à cantora Ayumi Hamasaki por mais de oito anos.

Já este ano, em 2012, os DBSK tornaram-se no terceiro artista estrangeiro (a seguir ao Michael Jackson e aos Backstreet Boys) a actuar durante três dias no palco Tokyo Dome, atraindo milhares e milhares de pessoas.

Até agora o grupo tem vindo além disso a quebrar os seus próprios recordes (e a criar outros), o que os torna num grupo com constante prestígio, e tem colaborado com vários artistas de renome da música japonesa como Ayumi Hamasaki e Koda Kumi.

Tanto a BoA e os DBSK estrearam numa altura em que nada era dado como garantido, numa altura em que a Onda Hallyu ainda estava a ser formada. Daí que eles não puderam contar com a popularidade que tinham na Coreia para se lançarem no Japão – como acontece com os grupos actuais.

Graças à BoA e aos DBSK, outras bandas foram capazes de estrear (e ter sucesso) no Japão. E é por reconhecerem isso que muitas das bandas de kpop estão constantemente agradecidas.

Os japoneses continuam no entanto a apreciar muito a sua língua e todas as pessoas que tentam aprendê-la, sendo esse ainda um grande obstáculo para os artistas coreanos que queiram estabelecer lá o seu mercado e agradar a um maior número de pessoas – até poderão agradar às massas mais jovens, mas às mais velhas são capazes de passar indiferentes.

Hoje, porém, têm vindo a surgir várias críticas à afluência coreana no país, muitas delas originadas pelos próprios artistas japoneses.

Em 2011, um conhecido actor, Sousuke Takaoka, foi despedido da sua agência por escrever tweets conflituosos tais como “Os dramas coreanos irritam-me”, “Eu costumava gostar da Fujitv no passado mas agora suspeito que ela talvez seja um canal coreano” e “Cada vez que dá na tv alguma coisa relacionada com a Coreia eu desligo a tv”.

Essa opinião teve bastante aderência e no mesmo ano houve várias manifestações em frente às instalações da FujiTv, em Tóquio, contra a afluência de dramas coreanos na tv. Muitos tinham cartazes ilustrativos e, ao mesmo tempo que protestavam, tocavam o hino nacional.

E quem diz estas duas manifestações diz muitas outras que se têm vindo a alastrar pelo país.

Ainda hoje o mercado de entretenimento do Japão é olhado por muitos outros países asiáticos com admiração e intimação. O facto de a cultura coreana ter sido capaz de penetrar nele e de fazer dele um dos seus maiores “compradores” é já de si um facto extraordinário.

Porém há que ter em conta que lançar simplesmente um cd no Japão e “pôr-se logo a andar” não é um passe pro sucesso. Apesar de não se justificar já estrear da forma como a BoA e os DBSK o fizeram pois os tempos são outros, também é verdade que qualquer país gosta que o respeitem como tal, que respeitem a sua cultura e mostrem dedicação e empenho naquilo que fazem.

O que a Coreia está a fazer é a forçar a entrada dos seus artistas no Japão mediante o lançamento excessivo de álbuns ou remakes das suas músicas coreanas, o que se vê é uma massa constante de ídolos que vêm, lançam algo, e partem novamente, sem se preocuparem com o país ou a cultura em questão… tudo isso leva aos tais movimentos nacionalistas acima descritos.

Este artigo serviu essencialmente para nos focarmos do Japão do antes e do depois, da expansão do kpop no Japão propriamente dito.

Sei que há outras bandas que merecem menção, nomeadamente Super Junior, KARA e Girls Generation (e muitos outros) pelo número de álbuns japoneses que vendem, mas o meu objectivo era falar um pouco dos grupos/factos que ajudaram a expandir a música coreana no Japão. Talvez numa próxima vez tal seja  também interessante.

Espero que tenham gostado deste artigo e que fiquem a conhecer assim um pouco mais de toda esta cultura que adoramos.

Fontes:
Seoulbeats; Wikipedia; Allkpop; CNNGO; Winter Sonata;Seoulbeats 2; Wikipedia; Wiki BoA

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