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Campo 22

O Campo 22 fica no condado de Hoeryong, província de Hamgyong do Norte, no nordeste da Coreia do Norte, perto da fronteira com a China e a Rússia. Localiza-se num vale, rodeado por outros vales, rodeado por montanhas entre os 400 e 700 metros. O portão sudeste do campo fica a 7 quilómetros da baixa de Hoeryong e o portão principal a cerca de 15 quilómetros de Kaishantun, na província Jilin na China. A fronteira oeste acompanha 5-8 quilómetros do rio Tumen, que delimita a fronteira com a China. O campo não está incluído nos mapas e o governo norte-coreano nega a sua existência.

O campo foi fundado em 1965 em Haengyong-ri e expandiu-se para Chungbong-ri and Sawul-ri nos anos 80 e 90. O número de prisioneiros aumentou imenso nos anos 90, quando três outros campos de concentração no norte da província foram fechados e os seus prisioneiros foram transferidos para o Campo 22.

O Campo 22 tem cerca de 225 km2 e é limitado por uma cerca de alta voltagem e outra com arame farpado, com armadilhas e pregos escondidos entre as duas cercas. Cerca de 1000 guardas e 500-600 agentes administrativos controlam o campo, sendo que os guardas estão armados com espingardas automáticas, granadas manuais e cães treinados.

Nos anos 90 o número de prisioneiros era estimado em 50 mil. Estes prisioneiros são maioritariamente pessoas que criticaram o governo, que não eram confiáveis em termos políticos (prisioneiros de guerra sul-coreanos, cristãos, retornados do Japão) ou membros seniores que tinham sido purgados do partido. Com base no princípio da culpa por associação (yeon-jwa-je em coreano) são muitas vezes presos juntamente com a família inteira, incluindo crianças e idosos. Todos os prisioneiros são detidos até morrerem e nunca são libertados.

O campo está dividido em vários campos de trabalho:

  • Haengyong-ri é a sede onde ficam os escritórios administrativos, as fábricas de comida e roupa, o centro de detenção e o alojamento dos guardas e onde ficavam as famílias detidas.
  • Chungbong-ri  é a secção mineira, que inclui uma mina de carvão, depósito de carga, estação de comboio, alojamento dos guardas e dos prisioneiros individuais.
  • Naksaeng-ri, Sawul-ri, Kulsan-ri and Namsok-ri são secções agriculturais com alojamentos familiares.

O local secreto onde se realizam as execuções fica no vale de Sugol, na orla do campo.

Ahn Myong-chol, um antigo guarda, descreve as condições do campo como duras e fatais. Recorda-se da primeira vez que chegou ao campo, comparando os prisioneiros a esqueletos ambulantes, anões e aleijados envoltos em trapos. Ahn estima que cerca de 30% dos prisioneiros estão deformados e têm, por exemplo, orelhas arrancadas, olhos esmagados, narizes tortos e outro tipo de maus-tratos. Diz que cerca de 2000 prisioneiros têm falta de membros mas que mesmo os prisioneiros que precisam de muletas são obrigados a trabalhar. Os prisioneiros recebem 180 gramas de milho por refeição, quase sem carne ou vegetais. A única carne que comem é a de ratazanas, cobras e sapos que apanhavam. A estimativa de mortes por má-nutrição de Ahn é de 1500-2000 por ano, grande parte delas crianças. Apesar de todas estas mortes, o número de prisioneiros é constante, sugerindo que cerca de 1500-2000 novos prisioneiros chegavam todos os anos. As crianças recebem educação muito básica. A partir dos seus anos de idade começam a trabalhar, colhendo vegetais, descascando milho ou secando arroz. Por isso muitas crianças morrem antes e completarem 10 anos. Os idosos têm de trabalhar até morrerem e os prisioneiros gravemente doentes são postos em quarentena, abandonados e deixados para morrer.

Os prisioneiros individuais vivem em casas com 100 pessoas num só quarto. Como recompensa pelo trabalho bom que fazem, as famílias podiam muitas vezes viver juntas num quarto de uma casa pequena sem água corrente, casas estas cujas paredes eram feitas de lama e tinham muitas fendas. Todos os prisioneiros têm de usar as casas de banho comuns, sujas e cheias de gente.

Têm de trabalhar duramente na agricultura, minério e fábricas desde as 5 da manhã atá às 8 da noite (7 da noite no inverno). Estas sessões de trabalho são seguidas por reeducação ideológica e sessões de autocrítica. O único feriado que têm é o dia de Ano Novo.

As minas não têm qualquer dispositivo de segurança e, segundo Ahn, morrem prisioneiros todos os dias. Têm de usar ferramentas primitivas, como pás e picaretas, e são forçados a trabalhar até à exaustão. Quando havia um incêndio ou um túnel ruia, os prisioneiros morriam lá. Kwon Hyuk disse que os corpos eram simplesmente colocados numa carroça de carga juntamente com o carvão para serem queimados numa fornalha.

Ahn explicou que dizem aos guardas que os prisioneiros são facciosos e inimigos da classe que têm de ser destruídos como ervas daninhas. São instruídos para olharem para eles como escravos e não os tratarem como seres humanos. Com base nisto os guardas porm matar qualquer prisioneiro em qualquer altura se estes não obedecerem às ordens, podendo também castiga-lo como bem entendesse. Admitiu que uma vez mandou matou 31 pessoas de 5 famílias como castigo coletivo porque um dos membros tentou escapar.

Nos anos 80 as execuções públicas tinham lugar uma vez por semana, segundo Kwon. Ahn disse que nos 90 passaram a ser secretas pois os guardas tinham medo que as pessoas que se juntavam se revoltassem. Caso violassem seriamente as regras do campo os prisioneiros eram sujeitos a investigações, que levavam a violações dos direitos humanos, como redução na alimentação, tortura, espancamento ou assédio sexual.

Ahn e Kwon falaram dos seguintes métodos de tortura usados no campo:

  • Água: o prisioneiro tinha de ficar de bicos de pés, dentro de um tanque com água que lhe chegava até ao nariz, durante 24 horas;
  • Pendurado: o prisioneiro é despido e pendurado de cabeça para baixo enquanto é espancado;
  • Quarto-caixa: o prisioneiro é isolado numa cela muito pequena, onde mal de podia sentar mas não se podia levantar ou deitar durante três dias ou uma semana;
  • Ajoelhamento: o prisioneiro tinha de se ajoelhar com uma barra de madeira na parte de trás dos joelhos, de forma a impedir a circulação. Depois de uma semana o prisioneiro não conseguia andar e muitos morriam alguns dias depois;
  • Pombo: o prisioneiro é preso à parede com ambas as mãos a uma altura de 60 cm e tem de ficar agachado durante muitas horas.

Como podemos ver as violações dos direitos humanos são muitas, sem contar ainda com as experiências que levavam a cabo com os prisioneiros. Estas experiências incluíam o uso de câmaras de gás para sufocar os prisioneiros, teste de armas químicas, cirurgias sem anestesia e danificar os cérebros das pessoas para os poderem usar como zombies para treinarem tiros.

Fonte: Mtholyoke; Guardian, Wikipedia Camp 22

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