사회 - Sociedade

Conseguirá a Coreia do Sul alguma vez aceitar os Homossexuais?

Muito se fala sobre a homossexualidade na Coreia do Sul, desde as nossas suspeitas de estrelas homossexuais, até ao pouco nível de aceitação naquele país. Por isso resolvi traduzir um artigo sobre a homossexualidade na Coreia:

 

A homossexualidade é há muito um tabu na sociedade Coreana. O ênfase do Confucionismo tradicional no laços familiares levou a que a homossexualidade fosse vista como prejudicial à ordem da sociedade, como definido pelas cinco categorias das relações em sociedade na ideologia confucionista. Nos anos 80, os homossexuais eram temidos porque se pensava que todos eram portadores de SIDA.

Hoje, muitos coreanos continuam a achar que a homossexualidade é um comportamento desviante ou um sintoma de uma doença mental. Alguns questionam mesmo a sua existência: Um Pastor no mês passado disse na televisão nacional que na Coreia do Sul não existem homossexuais. Com tantos preconceitos muitos gays e lésbicas escondem a sua orientação dos seus colegas, amigos e família.

“Sair do armário” (assumir a sua orientação sexual) é um dos maiores desafios dos homossexuais aqui (na Coreia do Sul), de acordo com o director de uma associação de homens homossexuais, que é contactado por 50 pessoas todas as semanas.

“Muitas pessoas têm pouco conhecimento de homossexuais. Eu acho que precisam de estar mais interessados nas vidas dos homossexuais e nos seus direitos”, disse Lee Jong Goel, director-geral de Chingusau, ou “Entre amigos”.

A influência do exterior

Foi por causa da falta de conhecimento que o realizador Lee Hyuk Sang, que o preocupava,  fez “Miracle on Jongno Street”, um documentário de 2010 sobre a vida de quatro homossexuais.

“A maioria dos coreanos heterossexuais não têm informação ou oportunidade de conhecer homossexuais” disse Lee: “O meu documentário foi uma espécie de material educacional para eles, e eles aprenderam e sentiram a vida quotidiana dos homossexuais. Alguns ficaram chocados, porque os homens coreanos homossexuais no meu filme vivem uma vida muito “normal”. Eles agradeceram-me e ao fim e disseram “Serei um apoiante dos homossexuais”.

Lee disse que ficou tocado com a resposta positiva ao seu documentário. Talvez surpreendentemente, muitas das reacções negativos vieram da comunidade homossexual.

“O meu filme revelou a vida gay e a imagem gay em Jongno (Seul), por isso eles tiveram medo de ser reconhecidos” pelas pessoas heterossexuais que antes (de verem o documentário) não tinham uma imagem ou noção do que é ser homossexual.”

Uma ideia errada que existe é que a homossexualidade é uma condição dos estrangeiros, a sua presença na Coreia é atribuída à influência estrangeira.

“Muitos dos homofóbicos coreanos acham que não existiam gays na Coreia do Sul antes dos anos 90. Eles acham que foi algo influenciado pela cultura ocidental. Mas isso não é verdade. Eles não querem saber a orientação sexual dos seus familiares” disse o director da Chingusai.

De facto, antes da dinastia Joseon no século XIV e da imposição dos princípios Confucionistas, a Coreia era relativamente tolerante a relações entre pessoas do mesmo sexo. De acordo com um artigo de Kim Young Gwan e Hahn Sook Já, sobre a história da homossexualidade na Coreia, os guerreiros de elite no Reino de Silla conhecidos como “hwarang” eram homossexuais, enquanto o Rei Kongmin do Reino Goryeo praticava pederastia. Enquanto o confucionismo da Era Joseon raramente fez referências a assuntos de sexualidade, a homossexualidade acabou por entrar em conflito com os princípios confucionistas.

“A cultura coreana, assim como outras culturas asiáticas com laços fortes com o confucionismo, ainda vêm os homossexuais como problemáticos e destruidores da tradição familiar”, disse Lim Hyun Sung, um professor da Escola de Bem-estar Social na Universidade de Kangman em Yongin, na província de Gyeonggi.

Com o enfraquecer da influência do Confucionismo ao longo do tempo, outro sistema de crença recente na Coreia do Sul tornou-se outra fonte de oposição à homossexualidade: o Cristianismo.

Enquanto existe uma diversidade de opiniões sobre o assunto no cristianismo, a maioria das igrejas vêem a homossexualidade como um pecado. O Conselho Cristão da Coreia é a maior organização das igrejas na Coreia, composta de 69 domínios e 20 organizações cristãs. A organização recentemente fez um protesto contra o concerto da Lady Gaga na Coreia, parcialmente porque supostamente ela promove a homossexualidade.

“O valor do cristianismo é o amor, por isso também temos afecto pelos homossexuais… mas na doutrina, nós pensámos (a homossexualidade) como um pecado, e odiámos esse tipo de pecado, mas também amamos os homossexuais. Disse um representante do Conselho Cristão da Coreia que preferiu não dar o nome, realçando que estava a dar apenas a sua opinião pessoal.

“Nós pensamos que Deus criou o homem e a mulher e permitiu que se tornassem um no casamento. Portanto, baseado nisso, nós estamos a defender esses valores e estamo-nos a opor à homossexualidade.

Visibilidade

Mesmo reconhecendo as diferentes opiniões sobre a homossexualidade no Cristianismo coreano, ele acredita que opinião da maioria está para ficar.

“No futuro próximo acho que existirão várias perspectivas, mas pensando na história da Igreja Coreana, daqui a talvez 5 ou 10 anos, os grupos conservadores coreanos serão a maioria da igreja coreana”

Ian Johnson, o fundador e CEO da Now Global, a maior companhia do mundo de consultadoria dos consumidores gays, têm uma opinião diferente. A sua firma lançou recentemente “Out No Global LGBT2020 Study”, uma sondagem feita anonimamente online sobre a vida dos homossexuais em alguns países, na Coreia do Sul. Desde que a companhia foi criada em 1992, a tendência constante em todos os países foi a cada vez maior aceitação dos homossexuais, disse ele.

“Em todos os países que trabalhámos durante estes 20 anos a tendência tem sido uma – durante a pesquisa feita com o nosso estudo LGBT2020 – o aumento dos níveis de conforto na sociedade em geral ao mesmo tempo que aprendem que os homossexuais não são diferentes de nós”, disse Johnson.

“Alguns aspectos da vida dos LGBT ( lésbicas, gays, bissexuais, e trans sexuais)podem ser diferentes das respostas individuais, mas no geral o tipo de coisas que preocupa os coreanos – como trabalho, emprego, finanças e família – também é uma preocupação LGBT coreanos.”

Johnson disse que era muito cedo para a pesquisa produzir dados claros na Coreia, mas que as expectativas eram que a Coreia fosse mostrar menos gente assumida do que países como os E.U.A.

“A noção de “se assumir” é nova na Coreia do Sul. Enquanto em outros sítios como os E.U.A ou a Austrália, pessoas têm assumido a sua homossexualidade desde os anos 70 ou 80 e em outros sítios como a Alemanha desde os anos 20- na Coreia é uma nova tendência.”

Mudança

Para Lee, a há motivos para estar cautelosamente esperançado que a Coreia irá eventualmente aceitar a homossexualidade. Alguns espectadores do documentário no Festival de cinema internacional de Berlim disseram que a capital alemã era como a Coreia, há uns 30 ou 40 anos.

“Havia medo, homofobia, crimes de ódio e preconceito em Berlim nessa altura, mas agora Berlim é a capital “gay” do mundo, onde os homossexuais podem exprimir o seu amor nas ruas”, disse Lee.

Mas ele acredita que a Coreia demorará talvez uns 40 anos a chegar ao nível de aceitação dos berlinenses.

“Estou à espera que Seul seja assim no futuro, mas não tenho a certeza. Por isso é que estou a fazer documentários sobre homossexuais na Coreia, porque os filmes são os media mais eficazes para espalhar mensagens ao mundo e podem fazer os heterossexuais terem uma atitude positiva em relação aos homossexuais. Para mim, isso é o meu dever, acho eu”.

__________

Tradução do artigo do koreaherald.

8 thoughts on “Conseguirá a Coreia do Sul alguma vez aceitar os Homossexuais?

  1. Sighhhhssss tenho tanta pena dos gays orientais… no dia em que os orientais deixarem de pensar que a homossexualidade é uma doença mental transmitida pelos estrangeiros eles poderão vislumbrar dias melhores. Lembro-me que há uns anos vi um filme sul-coreano sobre um história de amor obsessivo entre dois homens e tenho que admitir que adorei. Fiquei fascinada por um dos atores pois este, lá está, é um jeitosão do caraças… em 2009 vim a descobrir que o actor acabou por mudar de nome para não ser mais associado à homossexualidade, assim que o fez tornou-se um ator mainstream… não o posso culpar sempre achei uma pena ele antes desse ano não aparecer muito.

  2. Há algumas inverdades no texto, vamos definir o que é preconceito? Segundo Wikipédia ->

    “Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um “juízo” preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude “discriminatória” perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, “racial” e “sexual”.”

    Exemplos de Preconceito -> Todos os brasileiros são burros; Todos os asiaticos tem pipi pequeno; Todos os alemães eram nazistas; Todos os otakus são pervertidos; Todos os brancos são escravagistas… tipo assim, todos esses exemplos são juízos preconcebidos, são juízos ignorantes

    Quando o confucionismo e o cristianismo dizem que o homossexualismo é um desfio de conduta na sociedade ou um pecado não tem nada haver com preconceitos, porque não são juízos que sairam da boca pra fora, do dia pra noite, são ensinamentos milenares, são crenças “tatuadas nos corações das pessoas, passadas de tradição por tradição”. Usando as suas palavras, “definido pelas cinco categorias das relações em sociedade na ideologia confucionista”, como no cristianismo é ensinado que é um pecado como qualquer outro…

    Na verdade, o texto diz que quem não concorda com o homossexualismo é homofóbico, como leitora do blog, me senti atacada por um coisa que não sou, meus amigos gays sabem disso, se eu fosse levar no mesmo nível de interpretação, ao ler o texto eu posso alegar que fui vitima de preconceito, porque houve um pré julgamento da minha pessoa segundo minha religião e tradição…

    Existem religiosos homofobicos? Sim claro, principalmente no mundo Islâmico, matam aos montes por lá, isso é homofobia, porque matam e perseguem pessoas por causa da orientação sexual, porém na Coreia, no Brasil, no Ociente não há perseguição não, ninguém sai do culto ou da missa e vai atrás de gays para mata-los… meus amigos gays são livres, podem dizem que são gays a hora que quiser e onde quiser, mas se eu digo que homosexualismo é pecado(segundo minha religião e ensinamentos milenares) eu sou acusada de homofobia… triste isso😦

    Amo seu blog, amo tudo o que você posta…

    Desabafei ^^ pronto… Amo o Blog hein

    Posso não concordar com nada do que você diz, mas vou defender seu direito dizê-lo até a morte” (Voltaire)

  3. querida AdrieleTOP사랑해 o fato de sua religião afirmar que é pecado não a torna menos homofobica pois o simples fato de ofender mesmo verbalmente é uma forma de descriminação não precisa sair atacando ou batendo em alguém para ser homofobico afinal será que é necessário um homem espancar sua esposa para ele ser considerado machista? a oposição a algo que não se compreende é sim preconceituosa pois a maioria dos cristãos creem que os homossexuais podem mudar sua condição a hora que bem entenderem e vem dessa crença o motivo de repúdio a homossexualidade isso por si só já é preconceito o que existe é um preconceito tolerável uma pessoa não gostar de homossexuais por alguma razão mais ainda sim uma pessoa que entenda que os homossexuais tem tanto direito ao casamento e a proteção pois ainda sim faz parte da sociedade e contribui para o seu desenvolvimento isso é um preconceito tolerável afinal todos nós somos preconceituosos agora um país onde os homossexuais tem medo de assumir sua condição por repúdio social não pode ser classificada como menos que um país preconceituoso acho que com esse seu comentário vc falou tudo e ao mesmo tempo falou nada.

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