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Quem foram os primeiros europeus a chegar à Coreia?

Muita gente acredita que o primeiro ocidental a chegar à Coreia, nomeadamente à Ilha de Jeju, foi um holandês chamado Hamel quando na realidade não o foi. Leiam a tradução deste artigo da autoria de Robert Neff (thank you Robert for giving me permission to translate your article!) que encontrei aqui e vejam quem foi!

Visita do bispo francês Damange e os seus missionários a Jeju em 1901

Antes de se abrir ao ocidente em 1882, a Coreia era muitas vezes descrita como um Reino Ermita. Mas será que era assim tão isolado como muitos crêem?

No século nono, Khordadbeh, um geógrafo árabe, escreveu sobre as relações comerciais entre o mundo árabe e a Coreia. Ele descreveu a Coreia como muito rica em ouro que alguns “musselmans” (Árabes?) fixaram-se na Coreia para comercializarem ginseng, hastes de veado, pregos, selas, cetim, aloés, cânfora e outros produtos.
No início do século XI foi aberto um porto de comércio internacional perto da atual Kaesong na Coreia do Norte. Navios oriundos China, Japão, das ilhas Loochoo (Okinawa) e dos territórios sarracenos da Arábia, visitavam muitas vezes o porto e trocavam produtos exóticos como cornos de rinocerontes, papagaios, livros, cristal e ágatas por arroz, ouro, prata, ginseng, fígados de vaca, papel e pele de tigre.

O primeiro contacto da Coreia com a Europa aconteceu muito mais tarde e não esteve relacionado com o comércio mas com tempestades e guerra.

Em 1577, São Sebastião, uma lorcha portuguesa, capitaneada pelo capitão-major Domingues Monteiro de Macau dirigia-se para Nagasaki no Japão, enfrentou grandes tormentas e foi forçada a entrar em águas coreanas. Enquanto navegava pela costa coreana foi avistada pela população entusiasmada e várias embarcações com soldados foram lançadas ao mar. Intercetaram o navio português, matando a tripulação quase toda e incendiando a embarcação.

Segundo os Anais de Ching T’ak, um ocidental foi descoberto na Ilha de Jeju em 1582. O ocidental, que dizia chamar-se Ma-ri, estava vestido de preto e julgando pelo pouco que se sabe dele, não sabia ler ou escrever chinês. Se tivesse sabido escrever chinês teria sido capaz de comunicar com os coreanos que o salvaram. Foi levado posteriormente para a China pela delegação coreana que visitava anualmente esse país mas não se sabe o que lhe aconteceu depois.

Há uma grande especulação em volta da identidade de Ma-ri. Poderia ter sido um padre católico, o que explicaria as vestes, mas é pouco provável que não tivesse qualquer noção da língua chinesa. Poderia ter sido um marinheiro português e o seu nome Ma-ri uma alusão à sua profissão. Uma teoria sugere que era um sobrevivente da tripulação do São Sebastião mas não oferece qualquer explicação sobre o paradeiro de Ma-ri antes de ter sido descoberto em Jeju.

Se Ma-ri foi o primeiro europeu na Coreia o segundo foi Gregório de Céspedes, um jesuíta português que chegou a Busan no dia 27 de Dezembro de 1583. Foi levado para a Coreia por Konishi Yukinaga, um dos generais do exército japonês durante a Guerra Imjin. O General Konishi era um cristão que estava perturbado com a Guerra e queria um padre para acalmar a sua mente e lhe dar direção espiritual. Céspedes foi “de campo em campo, castelo em castelo” a pregar, ajudar e a converter soldados japoneses até abril de 1594, quando regressou ao Japão para responder por sedição religiosa. Céspedes teve parco contacto, se  realmente teve algum, com os coreanos durante a sua estadia na Coreia.

Os missionários dos japoneses durante a Guerra Imjin não foram os únicos portugueses a ir à Coreia. Os mercenários que trabalhavam para o exército chinês eram guerreiros portugueses conhecidos como Haegui (N.T: 해귀 Espíritos do Mar) e foram descritos por uma testemunha como tendo “pele preta como carvão e cabelo amarelo que se espalha como cilha”. Outra testemunha disse que tinham olhos amarelos, pele negra como breu e barbas e cabelos encaracolados “como pelo de ovelha negro”. Apesar de se dizer serem de Bulangkuk (Portugal ou Espanha) podem também ter sido oriundos dos territórios portugueses em África.

Eles não só pareciam ferozes à população coreana mas dominavam também a arte da espada, fazendo mesmo uma demonstração de habilidades de esgrima para o Rei Sunjo no seu palácio. Além de se mostrarem habilidosos com armas, os coreanos acreditavam também que tinham poderes sobrenaturais, entre os quais a capacidade de permanecer debaixo de água durante várias noites.
Segundo um oficial militar coreano, os Haegui conseguiam “penetrar facilmente no navio inimigo” o que levou alguns investigadores modernos a acreditar que os Haegui serviam como demolidores subaquáticos e ajudaram a naufragar uma série de navios japoneses.

Pelo menos quatro Haegui estavam na Coreia com o exército chinês mas não se sabe se realmente tomaram parte da batalha. Além de um quadro comemorando a ajuda chinesa para o final da Guerra de Imjin no qual se podem ver os Haegui e algumas descrições breves destes lendários e controversos soldados nos antigos registos coreanos, existem poucas provas do papel que tiveram na Coreia durante a Guerra. Ma-ri e os Haegui são apenas dois dos muitos mistérios que envolvem os primeiros contactos com estrangeiros na Coreia.

6 thoughts on “Quem foram os primeiros europeus a chegar à Coreia?

  1. Acho que houve manipulação na tradução de Haegui 海鬼 acho que originalmente o termo gui referia-se a demónio, mas pronto isso já sou eu com as minhas manias, mas a verdade é que não gosto quando um país tenta disfarçar a ignorância do seu povo no passado. Hmmm desconfio que estes Haegui não eram tugas, tugas. Eram mas é monhés e mestiços tudo vindo da “putaria” que era na altura cabo verde…. reparem nas descrições de pele escura olhos amarelos e cabelos loiros características muito semelhantes aos atuais descendentes dos filhos violações perpetradas por portugueses quando aportavam em cabo verde para mudar as águas e recolher frutos e carne. O que aquela gente passou…Não esquecer que a tripulação das embracações portuguesas eram constituídas por árabes, mestiços, espanhóis, italianos, enfim tudo o que viesse à mão. Quando era para ir para estes sítios “esquisitos” os tugas mandavam mas é a escumalha. Mas também podiam ser hómes tugas com feições semelhantes à do Bruno Alves😄. Em vez de fazer filmes foleiros com pessoas foleiras como o JYP faziam um filme sobre os Haegui.😉

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