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Korean Air: Segurança vs Cultura

Korean Airlines Co., Ltd conhecida como Korean Air é a maior companhia aérea da Coreia do Sul. Esta empresa faz parte do Grupo Hanjin que tem a seu cargo vários serviços de transporte. O seu fundador é Cho Choong Hoon que ainda hoje preside a companhia. Este grupo começou por criar em 1961 a Korean Air, que inicialmente lidava apenas com transporte de carga.

Devido ao seu sucesso tanto no transporte terrestre como no aéreo, o governo sul coreano decidiu em 1967 transferir a KAL – Korean Airlines (que era já a segunda tentativa do governo para criar uma companhia aérea nacional) para as mãos do Grupo Hanjin, mas este negócio revelou-se difícil porque o mercado doméstico da altura era muito limitado. Contudo Cho Choong Hoon não desistiu.

A Korean Air começou por fazer transporte de carga internacional e, de forma a introduzir voos de passageiros, usou Seoul como ponte entre as viagens de negócios entre os países asiáticos. Mas os voos internacionais revelavam-se problemáticos, principalmente aqueles dirigidos à Europa (em 1973 a Korean Air já tinha um voo regular  para Paris) porque a URSS não considerava a Coreia do Sul como um país independente e como tal não permitia que os seus aviões atravessassem o seu espaço aéreo.

De forma a contornar estes contratempos, a Korean Air decidiu apostar no mercado Americano (EUA) e começou a fazer os seus voos de transporte de carga com o seu Boing 747 pelo Pacífico. Assim, conseguiram progredir e aumentar a sua frota, tornando-se numas das primeiras clientes da Airbus, comprando três A300 que eram usados nas rotas asiáticas. Para os seus voos de longo alcance eram usados dezoito Boing 747.

   

No ano de 1983 a Korean Air sofre o seu primeiro desastre aéreo quando um avião da companhia entrou por engano no espaço aéreo soviético, sendo prontamente abatido, vitimando um total de 269 pessoas (passageiros e tripulação).  Apesar disto a companhia não se foi abaixo e o seu serviço de primeira classe era reconhecido mundialmente como um dos mais confortáveis. Em 1989 a restrição imposta pela URSS  é finalmente levantada e o primeiro voo para Moscovo teve lugar em 1991.

A companhia aérea conseguiu resistir aos contratempos e continuou o seu serviço, adaptando-se às mudanças impostas pelo mundo económico. Contudo a imagem da Korean Air ficou manchada pelos acidentes mortais que se deram nos finais dos anos 90. Um desses acidentes veio mudar definitivamente a forma de operar da Korean Air e a melhorar o seu desempenho, foi este o voo de carga 8509 (Boing 747) em Dezembro de 1999.

Este avião partiu de Seoul para o Reino Unido e já no Reino Unido mudou de tripulação para regressar a Seoul via Milão. O aparelho apresentava pequenas avarias, mas estas não eram relevantes ao ponto de despenhar o avião. O erro foi humano.

Quando o avião saiu do aeroporto era obrigado a fazer uma viragem para ficar assim na rota correta para Milão, o piloto não reparando que o seu horizonte virtual (que ajuda os pilotos quando se torna difícil distinguir o horizonte no ar) estava avariado e não mostrava se o avião estava a virar ou não, virou o avião de tal forma acentuada (chama-se a isto pranchamento) que este não resistiu à pressão e caiu. O que tornou o caso mais estranho foi o facto de o avião ter três horizontes virtuais (comum em todos os aviões, pelo menos nos maiores que eu saiba, mas também não sou expert nisto…) e dois deles estarem a funcionar correctamente. Para além disto, o avião ao entrar em pranchamento dispara um alarme sonoro que avisa os pilotos do que se está a passar.

  

Então se o avião não tinha avarias significativas, o piloto tinha onde confirmar o estado do avião e ainda teve um aviso sonoro quando o aparelho virou demais, como é que o avião caiu?

A resposta está na cultura coreana, sim na cultura!

O piloto deste voo vinha da força aérea coreana, tal como muitos outros que faziam parte da Korean Air, e hierarquicamente o piloto tem um posto superior ao co-piloto e aos engenheiros de voo. Na cultura coreana, aqueles que hierarquicamente têm um posto superior não são questionados e são respeitados, sendo que o seu desempenho não é posto em causa. Estes pilotos militares tinham o posto de piloto comercial assegurado porque seria vergonhoso ter um ranking mais baixo do que este, só que o grande problema é que estes pilotos estão habituados a serem independentes no voo e liderar uma tripulação não faz parte da sua experiência. Como consequência disto, os pilotos não admitem que a sua performance seja posta em causa durante o voo, e o resto da tripulação sente-se insegura ao ponto de não questionar as acções do piloto.

Este padrão, como descobriram os investigadores do desastre, era comum até nas aulas de treino dos novos pilotos. Isto num avião, como se comprovou, é extremamente perigoso. A comunicação entre a tripulação é aconselhada e neste avião, apesar do co-piloto e dos engenheiros saberem que estavam em perigo não tiveram coragem para questionar o piloto ou para tomar alguma ação, e isto custou-lhes a vida.

Este acidente veio deitar abaixo toda a credibilidade da Korean Air como uma companhia segura, mas nem tudo foi mau. Depois deste acidente e da investigação internacional que se seguiu, os erros dentro da companhia foram expostos e a Korean Air, em conjunto com a AAIB (Air Accidents Investigation Branch) apostaram na adaptação dos manuais à cultura coreana e em diferentes formas de estar dentro da cabine de uma avião, estando a tripulação mais à vontade para questionar as acções dos colegas.

As mudanças mostraram ser o que faltava à companhia, e hoje a Korean Air é considerada uma das companhias mais seguras para se viajar.

Créditos:

Korean_Air

Korean-Air-Lines-Co-Ltd-company-History.html

eng_au_ci_ht.jsp

Mayday Air Crash Investigation

Fotos:

Google

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